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Monitor do PIB cresce 0,2% e reverte a expectativa de recessão técnica

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Alta se refere ao segundo trimestre de 2019 em relação ao primeiro; número calculado pela FGV se aproxima mais da metodologia do indicador oficial do IBGE do que o IBC-Br que caiu 0,13%

O Monitor do Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre de 2019, em relação ao primeiro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).

“A novidade é que não estamos em recessão técnica”, diz o pesquisador associado do Ibre, Claudio Considera, ao comparar o resultado com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado esta semana, que mostrou queda de 0,13% no mesmo período.

Como no primeiro trimestre o PIB recuou 0,2%, uma nova contração representaria uma recessão técnica. “Nós aqui no Ibre temos um indicador de atividade econômica, à semelhança do IBC-Br, que também está negativo”, comenta o pesquisador.

Ele explica que o cálculo do Monitor tem como base a mesma metodologia que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) utiliza para estimar o PIB oficial, que será divulgado no próximo dia 29 de agosto.

“Contudo, nós temos que lembrar que sendo -0,13% ou 0,20%, estamos lidando com números muito próximos de zero. A economia está débil. Ela cresce, mas cresce pouco”, ressalta Considera.

Pelo lado da oferta, o setor de serviços (+0,3%) foi o único que expandiu, ao passo que a indústria (-0,3%) e a agropecuária (-1,2%) tiveram retração. Pela demanda, o consumo das famílias cresceu 0,7%, marcando a sua décima alta seguida, enquanto a formação bruta de capital fixo (FBCF, investimentos) voltou a ter elevação (2,3%), após duas quedas seguidas.

“Os serviços básicos [alimentação, saúde e educação] são o que vêm impulsionando o setor”, diz Considera. “Com a economia crescendo pouco, as pessoas evitam de comprar bens mais duradouros, como televisão, carro”, acrescenta.

Curto e longo prazo

Considera analisa que o baixo crescimento se explica pela falta de medidas de estímulo de curto prazo. Todas as reformas que têm sido encaminhadas, como a Previdência Social e a reforma tributária, terão efeitos mais de longo prazo.

“A medida da Liberdade Econômica e a liberação do FGTS [Fundo de Garantia por Tempo de Serviço] devem dar um impulso”, diz Considera. “Projeta-se que o FGTS possa dar um incremento de 0,3 ponto percentual no PIB, o que levaria o indicador a ter alta de 1,1%. Mas não vai conseguir ir muito além disso”, reforça o pesquisador do Ibre.

O setor de serviços também é o segmento que vem puxando para cima o Indicador Antecedente Composto da Economia Brasileira (IACE), publicado pela FGV em parceria com o The Conference Board (TCB). Em julho, o IACE subiu 0,5% na comparação com junho, para 117,6 pontos.

Dos oito componentes, seis contribuíram positivamente para a evolução do índice, com destaque para o Índice de Expectativas do setor de Serviços, que avançou 2,7%.

O economista Paulo Picchetti, da FGV, comenta que os serviços reagem mais rápido às medidas de estímulo e às expectativas de concretização de reformas estruturais. “Na indústria e na construção civil há uma defasagem nessa reação. O setor industrial, por exemplo, está com uma capacidade ociosa muito elevada”, diz.

Picchetti destaca que além das reformas, inflação baixa e perspectiva de mais redução na taxa básica de juros (Selic) também contribuem para a melhora das expectativas empresariais e, consequentemente, do indicador antecedente.

No caso do Indicador Coincidente Composto da Economia Brasileira (ICCE), que mensura as condições econômicas atuais, também houve avanço, de 0,2% para 102,9 pontos. Mas a FGV e o TCB destacam que, desde julho de 2018 (após os efeitos da greve dos caminhoneiros), o índice tem oscilado numa estreita faixa entre 102,6 e 102,9 pontos.

Na comparação anual (em relação ao PIB de igual trimestre de 2018), a economia registrou aumento de 0,7% no segundo trimestre. Os serviços cresceram 1,2%, enquanto a indústria e a agropecuária caíram 1,0%, mostra o Monitor.

Já o consumo das famílias avançou 2,1% no segundo trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Mais uma vez, desde o terceiro trimestre de 2018, o consumo de serviços tem sido o principal responsável pelo crescimento deste componente.

A FBCF cresceu 4,0% no segundo trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. O aumento de 8,3% de máquinas e equipamentos impulsionou este componente que estava em trajetória de queda, no início do ano.

Fonte: DCI / Imagem: Dreamstime

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